Secult destaca produções tocantinenses para assistir, ler, ouvir e visitar

O cenário cultural tocantinense vive um momento de intensa produção e diversidade, executadas por meio de diferentes políticas públicas de fomento, editais e iniciativas de incentivo à cultura que têm ampliado as possibilidades de criação, circulação e acesso às produções artísticas no estado.

Esse conjunto de ações tem contribuído para que projetos musicais, audiovisuais, literários e de artes visuais ocupem novos espaços, permitindo que ideias se transformem em obras concretas que fortalecem identidades, preservam memórias e ampliam o acesso da população tocantinense à produção cultural local.

Nesse contexto, a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) reuniu um compilado de indicações artísticas para quem deseja assistir, ler, ouvir e visitar produções culturais neste início de ano, muitas delas contempladas por editais operacionalizados pela Secult via Política Nacional Aldir Blanc (Pnab) e Lei Paulo Gustavo (LPG).

As obras apresentadas a seguir representam apenas um recorte da diversidade de projetos em circulação no estado, refletindo a pluralidade da cena cultural tocantinense.

Videoclipes

Entre essas produções, estão alguns videoclipes de diferentes estéticas e narrativas, como a obra que transforma o amor em metáfora de destruição e renascimento, chamada Atômico, do cantor Chiko Chocolate, a partir de uma letra escrita com o poeta e jornalista Ronaldo Teixeira. Também está disponível para visualização o clipe Roda a Saia, da cantora Núbia Dourado, que celebra o movimento, a força feminina e a identidade cultural tocantinense.

Outra produção musical tocantinense disponível para apreciação é o videoclipe  Instável, do grupo Poetas do Caos, que dialoga com inquietações contemporâneas e experimentações sonoras. Enquanto a banda Móia Cumbia apresenta a faixa Derreter, com estética vibrante e dançante.

Documentários

No campo do audiovisual, documentários e séries revelam territórios, histórias e saberes do Tocantins. O documentário Miracema – O Tempo é Agoratransforma a primeira capital do estado em protagonista por meio da fotografia e da memória visual, sem o uso de narrador ou entrevistas.

Também integra a lista a série Entre a Resistência e a Erosão que, em três episódios, mostra a realidade de comunidades quilombolas do município de Esperantina, na região do Bico do Papagaio, abordando desafios contemporâneos, saberes tradicionais e estratégias de permanência nos territórios ancestrais.

Ainda no formato de curta-metragem, a produção Dona Regina, o Labirinto e o Tempo, realizada pela Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Cultura, mergulha na história de uma artesã centenária de Pedro Afonso, guardiã da técnica ancestral do labirinto e da transmissão de conhecimentos entre gerações.

A produção audiovisual também se apresenta como espaço de reflexão sobre as artes visuais. O minidocumentário Entre Gravuras e Traços — A arte brasileira abraça o Tocantins apresenta a exposição de mesmo nome, realizada no Palácio Araguaia Governador José Wilson Siqueira Campos em outubro de 2025, com obras modernistas doadas ao Estado pelo Banco Central do Brasil. O vídeo percorre o histórico das obras, reflexões sobre o modernismo e a técnica da gravura, além das impressões do público que visitou a mostra.

A diversidade cultural do estado também é retratada em produções seriadas, como Mosaicos do Tocantins, disponível no YouTube, que documenta identidades locais, povos indígenas e personagens da cultura regional.

Já a série Mapeamento dos Produtores de Cachaça do Tocantins, composta por seis episódios, percorre municípios do sudeste do estado, valorizando a produção artesanal da cachaça e os saberes envolvidos em todo o processo, produzida com o apoio da Secult.

O  filme Meu Norte é o Bico, da artista Sara Gomes (Leoa do Norte), nascido inicialmente como espetáculo e, posteriormente, transformado em filme, está disponível para visualização on-line. O trabalho protagoniza a existência e os costumes de um povo historicamente preterido nas divisões territoriais, conduzindo o público por cenas do cotidiano, das festas, do trabalho e da fé do Bico do Papagaio, entre rios, cantorias, festejos e saberes tradicionais.

Literatura

A literatura ocupa lugar de destaque entre os projetos tocantinenses impulsionados por diferentes iniciativas de fomento cultural. Um dos exemplos é Corpilhas, da escritora tocantinense Luciana Andradito, obra também disponível em formato de audiolivro, que aprofunda uma escrita poética conectando paisagens externas e territórios emocionais.

Outro destaque é A Mata que Cura, de Felisberta Pereira da Silva, que compartilha conhecimentos tradicionais sobre plantas do Cerrado a partir de sua trajetória em Natividade, reunindo saberes que atravessam corpo, mente e espiritualidade.

Já Corruptos: um ser típico em um mundo atípico, de Youssef Carvalho, propõe uma reflexão sensível sobre diferenças e valores humanos, em um futuro distante, onde o planeta é governado pela Concórdia Quântica, uma inteligência artificial que mantém a ordem perfeita e o controle absoluto sobre a vida de seus habitantes, os roubanos. 

Voltada ao público infantil, a obra Tocantins de África – histórias de dois mundos, de Wátila Misla, aborda a presença afrodescendente no estado por meio de textos poéticos, ilustrações e recursos acessíveis.

Entre as obras elencadas também está Algibeira dos Olhos, livro que reúne mais de 70 poemas sobre amor, memória, pertencimento, corpo, política e ancestralidade. A escrita, marcada pela oralidade,  carrega a  experiência do autor Tácio Pimenta como nordestino, migrante e tocantinense por escolha. A obra está disponível também em formato de audiolivro, com acesso gratuito.

Outro destaque é o livro comemorativo 15 anos Lamira, lançado pela companhia de artes cênicas, de Palmas, que celebra a trajetória do grupo por meio de memórias, processos criativos, imagens e histórias de uma pesquisa artística que une dança, teatro e circo.

Já a escritora e pesquisadora Roseli Bodnar apresenta em Literatura e Doçuras – Sabores e Memórias Afetivasum percurso construído a partir das tradições culinárias de sua família, reunindo  receitas ucranianas e austríacas adaptadas às vivências da autora no Tocantins, onde reside há duas décadas.

Também integra esse conjunto o livro Histórias que eu não contei, de Fernando Schiavini, que reúne narrativas vividas em aldeias indígenas e cidades da Amazônia, a partir de experiências iniciadas na década de 1970, quando o autor atuou pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A obra pode ser adquirida por meio do contato de WhatsApp (63) 98116-6489.

Com caráter pedagógico e compromisso com a educação antirracista, a cartilha Suça no Quilombo – Chapada da Natividade (TO), de Roberta Tavares de Albuquerque, apresenta a história da comunidade quilombola da Chapada da Natividade e da Suça, manifestação cultural tradicional do território. O material dialoga diretamente com a Lei nº 10.639/2003, contribuindo para o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana nas escolas, além de valorizar saberes, memórias e práticas culturais locais.

Artes visuais

As artes visuais também seguem em evidência com exposições que ampliam o diálogo entre memória, identidade e criação contemporânea. O projeto Invasão do Pequi 2 reúne obras dos artistas Felipe Supernaut e Leromanual no Blackbird Estúdio e Bar, em Palmas, articulando música e artes visuais em um mesmo processo criativo.

Já a exposição Entre Gravuras e Traços segue aberta à visitação gratuita no hall da Secretaria de Estado da Cultura, de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas.

Outro destaque é a exposição 18 anos de história para contar, em cartaz na Galeria Municipal de Artes no Espaço Cultural, que convida o público a uma imersão na trajetória, dos saberes e da paixão que constroem a cultura junina tocantinense. A mostra, organizada pela Federação de Quadrilhas Juninas do Tocantins (Fequajuto), reúne registros históricos, figurinos, ornamentos, uma peça interativa e um videodocumentário, celebrando as pessoas e os coletivos que fizeram dessa tradição uma referência cultural reconhecida nacionalmente.

Também segue em cartaz até 11 de fevereiro, no Palácio Araguaia, em Palmas, a exposição Antropogênico, do artista Daniel Taveira com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas. A mostra fotográfica explora o surrealismo e a estética distópica como linguagem para refletir sobre os impactos das mudanças climáticas, a ação humana sobre o meio ambiente e a urgência da preservação da natureza.

Música

A música integra essas indicações com projetos que dialogam entre tradição e contemporaneidade. Um dos exemplos é o Tocantins em Concerto, que apresenta a música popular tocantinense em arranjos orquestrais. Sob a direção artística do maestro Bruno Barreto, a Orquestra Viva Música se une aos mestres Juraildes da Cruz, Dorivã, Braguinha Barroso e Lucimar, em um encontro emocionante entre a música clássica e a canção popular regional.

Outra forma de consumir a produção musical local é por meio da playlist criada pela Secult, que reúne diversas composições de artistas tocantinenses.

As produções apresentadas compõem apenas um recorte entre os inúmeros projetos realizados no Tocantins com apoio da Secretaria de Estado da Cultura, evidenciando como o investimento público em cultura amplia o acesso, fortalece identidades e garante que a arte tocantinense continue circulando, sendo vista, ouvida e compartilhada pela sociedade.

Fonte: Secom / Tocantins

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