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Uma história de resistência, coragem e persistência ganha um novo capítulo no norte do Tocantins. O quilombola Miguel Batista Barros, morador do Quilombo Ilha de São Vicente, em Araguatins, foi aprovado no vestibular por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária e iniciará, aos 69 anos, o curso de Agronomia no Instituto Federal do Tocantins.
Filho de Vicência Batista Barros e irmão de Fátima Barros, Miguel é reconhecido na comunidade pela atuação firme na defesa do território, da cultura e dos direitos quilombolas. A conquista, mais do que uma vitória individual, é vista como um marco coletivo para o Quilombo Ilha de São Vicente, onde a educação é compreendida como ferramenta de fortalecimento e continuidade.
O ingresso no ensino superior, especialmente em uma área estratégica como a Agronomia, dialoga diretamente com a realidade das comunidades tradicionais, que têm na terra a base de sustento, identidade e luta. Miguel pretende ampliar seus conhecimentos para contribuir com o desenvolvimento sustentável do território e com a valorização dos saberes ancestrais.
A trajetória do quilombola também rompe estereótipos ao reforçar que o acesso à educação não tem idade. Em um país onde as desigualdades educacionais ainda atingem com mais intensidade populações tradicionais, histórias como a de Miguel evidenciam a importância de políticas públicas voltadas à inclusão, como o PRONERA.
A comunidade celebra a aprovação com orgulho, enxergando nela um símbolo de resistência e esperança. Mais do que o início de uma graduação, o feito representa um passo significativo na construção de um futuro em que conhecimento acadêmico e tradição caminham lado a lado.
Para Miguel Batista Barros, o tempo não limita sonhos — ele os amadurece.
Fonte: IFTO



